quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Deserto

Furtada noite
Embriagada de sonhos
A lua se torna sol
Clarão que cega os ouvidos
Ensurdece os olhos
Tateia a alma
Cessa a chuva
No 1º minuto da madrugada
Traz calor escaldante
No começo inabitado de outubro.

Conselho

Escancara a vida
Que em ti há
Não deixe que apaguem a luz
E o brilho do teu olhar

Absorve as estrelas,
Irradia a correnteza
Alma viva de alegria
Nada mais há a esperar

Esperança infinita,
Pronta parar desabar
Melhore, não existe esperança
Pra quem vê tudo acabar

Vai nesse prumo
Escolhe uma estrada
Segue teu rumo,
Continua a caminhada

Teu coração te segue
Seja qual for o lugar
Semeaste só o bem
O amor ajudou a plantar

Colhe agora teus frutos
Vai, não olhe para trás
O que for pra ser vigora
De sentimentos mútuos, imortais.

Finita Viagem

Embarquei numa viagem
Em passeio sem bagagem
De paisagens extintas
Com as cores do explendor
Misturei todas as tintas
Me lambuzei de amor.

Nesse prumo sem barreiras
Levitando com o vento
Furtei parte do perfume
E lembrei do jaz momento
Da aventura sem demora
Do perfeito movimento.

Cantei, corri, dancei, sorri
Como a noite prometia
Todo amanhã é um recomeço
De milagres Ana e Maria
Fico agora na estação,
Embarco em outro avião
Pra ser feliz um dia.

Reclusão

A fuga desacelera os passos ao contrário
Não tomamos conta de nada, é involuntário
Sumir é inutil, o destino aí está
Seja qual for a situação, não importa o lugar
Vamos topar sim, até com o que não queremos
Viver é amar, decepcionar, perdoar
E novamente amar, ou então continuar ermo
Num pretérito mais que imperfeito.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Oração

Te agradeço Deus
por permitir,
visualizar um anjo seu

Luz de carisma
Corrente de amor
Poe em prática o prisma
Leva embora a dor

Traz mais vezes esse anjo
Para eu contemplar o divino
Mas o traz tocando banjo
Harmonioso som cristalino

Deixa-me também beija-lo
Sentir que posso toca-lo
Ser um eterno menino
Concordar com o destino

Por fim Deus
Se puder me atender
Torna-o humano
Para sentimentos ter

Entrever que eu existo
Quero amá-lo no viver
Tudo dentro do previsto
Para o destino tecer.

Inocência (Para Ana)

Dia preguiça, suave como o sol
a espalhar seus primeiros raios
sobre a imensa terra...
As árvores derramam suas folhas
saudando-me no exato momento
que trafego em limusine urbana com
convidados desconhecidos...
Os sons e histórias se misturam com
vozes de timbres diversos, mas
apenas ouço o sussurrar do vento
a bater nas folhas...
Dia tranquilo, sentidos livres,
serenos como uma cantiga de ninar...
Embalado pelo sossego e inocência
de um sono infantil...

domingo, 26 de setembro de 2010

(Tomar) Sazonal

Viseira embaçada, riscada
Embaraçados pensamentos
Ao teu lado, poesia
Sou a chuva, o vento
Primavera, sou verão
Sou as cores da ilusão
O outono, sou inverno
Ah poesia, sou eterno

Ao teu lado, poeta
Realidade, expansão e decisão
Volto a enxergar a paisagem
Foi embora a ilusão
Abro a viseira, fito o céu
O presente verão chuvoso
Vento forte, congela as mãos
Sou eu, aberto, solto
De mente, corpo, alma e coração.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Evoluídos I (Somente os evoluídos sabem o que é viver em um universo que não os pertence).

Leia essa matéria com atenção, se ela chegou até você é porque terá algum significado em sua existência.

         Evoluídos são humanos incomuns que escolheram o desafio de vir a terra e construir nela a sua história, esquecendo toda a sua existência anterior em um universo superior.
         Essa evolução fica mais clara aproximadamente dos 27 aos 30 anos terrenos. Apenas os que já nascem com o espírito elevado encontram seu dom ainda criança no primeiro ciclo de sete anos. A maioria dos evoluídos levam até o 4º ciclo, é nesse período também que o ascendente começa a agir de maneira mais consistente na passagem dos evoluídos pela terra.
         Entender tudo isso não é fácil, de certa forma alguns conseguem muitas riquezas terrenas (materiais) sem se dar conta de que estão em um patamar mais elevado. Os que tem a consciência de sua evolução conseguem realizar feitos espetaculares com o mínimo que seja, sua presença conduz alegria a qualquer ambiente em que se disponibilizem a estar, e contagiam a outros terrenos com o fulgor que emitem.
         Evoluídos não tem inimigos, prezam pela paz e justiça sempre, amam a natureza, adoram entrar em contato com o ar, com a energia que flui do seu universo.
         A fase do descobrimento da evolução é incrivelmente fantástica. Os evoluídos enfrentam sentimentos até então não experimentados e se desprendem do que realmente não permanecerá com eles enquanto continuarem na terra. Em compensação começam a conhecer e distinguir o quê ou quem os ajudarão a continuar evoluindo.

Máxima Sumo

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Amizade (Para Saulo)

A amizade não se explica
Como saber de onde vem
Cruza caminhos, chega e fica
Traz com você amor também

Procuro entender
Já sei como dizer
O porque de tanto bem

Porque ter você
Ao meu lado é bom demais
E quando estamos juntos
Eu me sinto mais capaz
E posso perceber
Desde o amanhecer até anoitecer
Amigo...
Teu sorriso me traz paz

Nos momentos tão dificeis
Com você posso contar
E os dias mais felizes
Ir contigo partilhar

Amigo essa canção
Eu fiz para você
E respondo o porque

Porque ter você
Ao meu lado é bom demais
E quando estamos juntos
Eu me sinto mais capaz
E posso perceber
Desde o amanhecer até anoitecer
Amigo...
Teu sorriso me traz paz

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Flor Amarela

Tenho uma particularidade muito grande com a música,
respeito-a e ela vem a mim como num passe de mágica.
Com Flor Amarela foi assim, um presente ao qual tenho que
compartilhar...

Comprei uma flor amarela só para te dar
Porque graciosa e tão bela não posso ter mais
O amor surge para quem vive
E vivi com você só momentos felizes
Um sonho, eu não quero acordar

Mas depois...

Depois que você me deixou eu não pude conter
Lembrei do que disse outrora e olhar pra você
Enxergo a primeira vez
Paixão me pegou não tem jeito
Saudade pulsa dentro do meu peito

Mas eu canto...

Eu canto a alegria da vida porque sou feliz
Cantando afasto a tristesa não posso negar
Te vejo chegar qualquer hora
Dizendo voltei pra ficar
E a flor amarela sorrindo a nos iluminar

E a flor amarela sorrindo a nos iluminar...

O GUARDADOR DE REBANHOS

                                               II

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


Fernando Pessoa

O GUARDADOR DE REBANHOS

                  I

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr-de-sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes,
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes,
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita coisa feliz no mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr-do-sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.

E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer coisa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Fernando  Pessoa                        

domingo, 5 de setembro de 2010

De Primeira Grandeza

Quando eu estou sob as luzes
Não tenho medo de nada
E a face oculta da lua que é a minha
Aparece iluminada.

Sou o que escondo sendo uma mulher
Igual a tua namorada
Mas o que vês quando me mostra estrela
De grandeza inesperada.

Musa, deusa, mulher, cantora e bailarina
A força masculina atrai, não é só ilusão
A mais que a história fez e faz o homem se destina
A ser maior que Deus por ser filho de Adão

Anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino
A glória feminina existe e não se fez em vão
E se destina a vida a alguns a mais do que imagina
O louco que pensou, a vida sem paixão.

Música de Belchior

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

1º de Setembro

Neste dia de setembro
Onde nada parece errado
Lembro dos tempos de outrora
Mas não revivo o passado

Conheço todo dia gente nova
As pessoas não são boas nem ruins
São apenas pessoas que vivem
Cada um com seu festim

Sem mais nem menos
Correm de um lado para o outro
Fazer o que quer não é facil
Se propor a algo novo

Será que somos realmente
Apenas uma pergunta?
As respostas são muito claras
Observe a natureza plenamente

O vento a bater nas folhas
O sol a iluminar
Veja o céu, as estrelas
Há tanto a se olhar

Olívio das Oliveiras
Állis do além
Um homem a vender camisas
Contribuiu com algo também

Corre o dia assim
Quem sabe um novo encontro
Talvez em outra praça
Ou em qualquer botequim.