terça-feira, 27 de setembro de 2011

Elogio

Olhos de persuasão
Palavras de movimento verde
Sem sentir me ví em seus lábios
E os elogios da tua língua
Vieram a convencer-me
Com astral inspirador
Que sem paixão não há amor.

E que os bons e belos
Devem com certeza ser de todos
Virar patrimônio público
Distribuindo galhardia
Não de um modo sintético
Mas um amor puro
Vindo de um ser angélico.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Grão dourado

Era tarde quando percebi,
Que as nuvens não eram de algodão.
E olhando aqui de cima
Onde a terra parece tão pequenina,
Pude observar um grão,
Que de tanto brilhar para os demais
Se destacou em minhas retinas.

Tive vontade de tê-lo
Como um amor de menina,
Brincando descalça no rio,
Saltando pela campina.

Peguei-o em uma das mãos
Despida de pudores amei,
Mas o grão não estava feliz
Gostava de  brilhar para todos
De onde o retirei.

Meu egoísmo durou pouco,
E devolvi o grão a terra
Notei que amor é de dois,
E um dos dois se encerra.

Brilhe de novo sem culpa,
Sorria por ter tentado,
Eu aqui vou pelo ar,
Semeando pelos telhados,
Caminhando entre a nuvens
Observando o seu dourado.

sábado, 10 de setembro de 2011

Lábios

Não me atrevi a beijá-la,
Assim que abri os olhos,
Pude perceber quão linda estava.

Eram lábios que desenhavam-se
No infinito cristalino ocular,
Restava-me apenas apreciar.

Nunca a ví tão perfeita,
Toquei-a e seus contornos,
Fixaram morada em minha mente.

E mesmo no tocar o ar senti,
O doce carnudo das bocas
Ao encontrar-se incontinenti.

domingo, 4 de setembro de 2011

Consciência

Gerida por sentimentos de justiça
Vejo que a única existente
É a do tempo que apaga quando deve
E traz a tona quando necessário.

Sustentada pelo amor alheio
De conhecidos desconhecidos
Falo as vezes do que não tive
E os tenhos em olhos sorridentes.

Suporto os evitáveis, por entender
Que confiança não se compra, se ganha
E a verdade dita, nem sempre
É o que querem acreditar.

Retorno a mim com a certeza inebriante
De que valores são dispensáveis
Quando se tenta erroneamente
Incutir consciência em quem não a possui.

sábado, 3 de setembro de 2011

Desigualdade

Desvairada de equívocos a parcialidade
Nós que oprimem sem dó
Os amantes da equidade.

Desvendar no superior momento
Dom derivado da vaidade
Da dignidade sem argumento.